domingo, 24 de julho de 2011

Uma dor que não tem nome

Escrever hoje pra mim se torna muito difícil. Mas eu to apostando que jogando pra fora o que estou sentindo eu posso me sentir melhor.
Meu pai é diabético. Sempre foi, nunca se cuidou mt bem, mas nunca houve nada muito grave, mesmo o nível de glicose as vezes ficando em valores inimagináveis (580, qd o normal é, no máximo, 120, se não me engano).
Pois bem, ontem de manhã eu fui na casa dos meus pais. Véspera da viagem de férias, correria total, passei pra ve-los. Tava tudo normal. De tarde, umas três horas depois, voltei, e ele veio falar comigo sobre meu presente de aniversário (faço 29 anos no próximo sábado, dia 30). Minha mãe notou o pé dele extremamente inchado, e me mostrou. Tava realmente enorme, e com o dedão bem roxo. Fiquei muito preocupada, e corremos pro hospital. Chegamos ao Hospital 15h30.
Muitos exames e muita espera depois, veio a notícia: meu pai tinha que ser internado, e havia uma possibilidade enorme de ter que amputar o dedo.
Foi uma dor que não tem nome. Ver alguém que a gente ama sofrer não tem nome. E dói, dói, dói, não tem remédio. Ele tá se fazendo de forte, mas dá pra ver os olhos tristes dele. Isso corta o que sobrou do meu coração, que está em pedaços.
O agravante é que hoje era minha viagem pra Fortaleza. Fui falar com ele em desistir, e ele fez aquela chantagem que só os pais sabem fazer: "Se você não for, e não se divertir, eu vou ficar muito triste." E eu vim. Mas meu coração tá lá.
Falei com minha mãe agora há pouco. Ontem conversei com os médicos, e eles disseram que se fosse caso de amputação, ainda demoraria alguns dias, pois tentariam reverter o quadro com três antibióticos muito fortes, ministrados na veia. Mas ela disse q a médica passou lá agora pouco e que não deve ter jeito, que deve ter que amputar mesmo. Pediu pra esperar até amanhã.
Eu estou em pedaços. Eu estou com medo, com mt medo. Medo dele ter que perder o dedo. Dele ficar depressivo com isso. Da amputação não funcionar, e ter que amputar mais. Medo dele morrer. Dele morrer sem ter um neto. De morrer longe de mim. De eu não estar perto qd ele precisa.
A gente se falou agora há pouco, e ele disse q eu "não tava com a voz de quem está se divertindo". Eu queria me teletransportar pra lá. Mas vou tentar ficar aqui mais um pouco. Eu venci o medo de avião, gastei uma grana... Eu sou má por querer ficar uns poucos dias????
Amanhã é aniversário do meu marido. Quero que ele tenha um dia especial. Ele está sendo um grande companheiro. Sei que a hora q eu falar que quero ir embora, ele junta as coisas comigo e vai, sem pensar duas vezes.
Desculpem o post confuso. Queria colocar pra fora tudo o que dói dentro de mim. Eu tenho esperança ainda. Eu sou otimista. E, se nada mais funcionar, eu tenho fé.

4 comentários:

Elaine Lobato disse...

Any, nossa fiquei pensativa com o seu post, não se aflija, não sofra por antecipação, aproveite suas férias, fique bem ao lado de seu esposo! Pois Deus está olhando por seu pai! Diabetes é uma doença traiçoeira, vou ficar enviando pensamento positivo para que tudo ocorra certo com seu pai, e que fique em paz o seu coração!

bjs

Crys Leite disse...

Querida só quem sente a dor sabe o quanto dói! É doloroso demais ver tristeza nos olhos de quem amamos, mas Deus sabe de todas as coisas, entrega nas mãos dele e fica tranquila que tudo vai dar certo. Torcendo por você e pelo seu pai, beijos!

Sra. Mari disse...

É uma situação muito dificil, mas tenho certeza que apesar de tudo ele quer q vc aproveite. Os pais sempre querem ver a gente bem e feliz.
Deus há de ajudar e vai dar tudo certo. Fica bem ...

Bj

entrecorridasedietas disse...

eu estava procurando coisas sobre festa, casamento e parei por aqui, por conta do titulo do post.

minha mãe tb é diabética, teve uma lesão gravíssima no pé direito, tinha que amputar a perna dela toda, nos desesperamos, mas graças a Deus ela conseguiu uma cirurgia pelo SUS para colocar um stent na veia da perna que trouxe a circulação de volta (ela tinha só 10%)
encontraram um coágulo na veia e disseram pra ela torcer pra ele nunca ir para o coracao... ele foi pro cerebro um ano depois e ela teve um AVC. 2 anos depois ela está ainda com dificuldades em caminhar mas agradeço a Deus por ter minha mãe viva!!

Creia em Deus, se precisar, vá ao hospital Santa Marcelina, foi onde conseguimos a cirurgia de graça.

Deus abençoe vocês.